Anti-Projeto     Anarco Fake

Ménage a Coiote
Anti-Projeto Anarco Fake

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Ficha Técnica :
Composição e voz: Mogli Saura

Produção musical, mixagem e masterização: Francis Etto

Produção e direção do anti-clipe: Liberta Morón

Roteiro e concepção: Mogli Saura

Imagens do anti-clipe: acervo do Coletivo Coiote e recolecção de imagens na internet

Ilustração do EP: Kika Capucha

O primeiro EP do Anti-Projeto Anarco Fake nasce a partir do encontro entre Mogli Saura, artista experimental, instrutora de yoga e permacultora, e o artista audio-visual Francis Etto, autor do projeto "All is Axé".
 

Descolonização, contracultura anarquista e kuir, experimentações poéticas e performáticas se conjugam a imersões eletrônicas experimentais e ritmos afro-brasileiros, para abordar criticamente as violências sistêmicas produzidas pelo mundo moderno.

Trata de crises, assertividades, fracassos e glórias, diante de um mar de afirmações positivas e esperançosas sobre sucesso e "inclusão".

É sobre surfar na crista da onda do colapso, e jogar baixo com a assimilação!

As letras rimam críticas radicais ao modo idealista de desejar, apontando também limites normativos de movimentos ditos alternativos, tal como, abordam a captura de discursos e posicionamentos ditos decoloniais que permeiam o sistema de arte no Brasil.

Movidas pelo desejo cartográfico as composições contribuem com a polifonia de nossos tempos, co-incidindo intensidade, atravessamento, localização e narrativa, de modo singular, em prol da biodiversidad cultural.

As apresentações do projeto musical incluem elementos visuais que potencializam as performances e sonoridades, e contam frequentemente com a participação de outres performers e musicistas.
Referências da Body Art, do Pós Pornô, do Clown, do Voguing, da Performance Ritual e do Butoh também dão sutento ao corpo da proposta dando muitos outros sentidos ao experimento.

EP Álbum
Anti-Projeto Anarco Fake

O Anti-Projeto Anarco Fake vem sendo gestado a passos lentos desde 2012. O ano de 2020 foi eleito o ano de lançamento dessa proposta, que, tal como o nome da música que inicia esse processo, chamada de “O Verdadeiro Rap do Fracasso”, fracassou.

Fracassou, assim como o mundo, da forma na qual está elaborado, vem fracassando.

Mas – diferente das elaborações que regem o mundo tal como o conhecemos – o Anti-Projeto Anarco Fake, tem uma outra forma de lidar com suas expectativas e ideais, de modo a incorporar o fracasso como parte do plano.

Então, é (de certo modo) em clima de familiaridade, que, em meio a pandemia, me sinto confortável em rearticular os planos e fazer do hoje o melhor momento. Como temos visto, o amanhã está (cada vez mais) “descomprometido” com projetos e futuros e a vida (aqui agora), por sua vez de modo orgânico e intuitivo, vai sendo vivida a cada dia, fazendo do simples um evento digno de ser celebrado e vivido.

O Anti-Projeto contempla em si mesmo – também pela aceitação do fracasso - os esforços por destruir a lógica colonial que opera em nós.

O Anti-projeto entende-se aquém da contradição pois não está dentro de uma lógica linear e objetiva de mundo, não pretende progredir, não deseja superar.

Sua re-existência ocorre em/com outras temporalidades/finalidades, começando pelo fim e perdurando na insistência em desfazer-se daquilo que pretende capturá-lo dentro de uma lógica originária, temporal e identitária.

O Anti-Projeto sempre foi e continuará sendo fake, independente do anarco.

Sendo assim, é com muita alegria, que venho até vocês apresentar essas quatro (singelas) canções e um anti-clipe, que vem somar para outros modos de pensar e agir, criando meios alternativos, que possam dar conta de demandas que (ainda) são tratadas como engôdo

Kuceta póspornografias.
 2018, SP

com: Izul Ipês, Gil Porto, Jessica Toniati, Marcia Marci e Mogli Saura

InSurgido de um mal estar no seio de movimentações radicais de práxis libertária - por entre o tédio, a fragilidade, a contradição e o fracasso - suspira uma "alegria difícil", uma potencia a ser atualizada dentro de uma forma demasiada afirmativa, orgulhosamente ativista, totalmente confiante de seu lugar de resistência, e inevitavelmente "ingênua".

Em meio a inegável força de subversão gerada pelo movimento Anarkofunk - margem dentro da própria kontracultura punk, que, em um só movimento atualiza a estética de um modo de vida comunitário e anti sistêmico, incorporando a forma de uma das expressões culturais mais comuns do rio de janeiro, o funk carioca - pulsa uma questão que se situa na margem de sua margem, no limite de sua própria força, na intersecção que beira o esfacelamento (leia-se  aqui imagem perfeita) de si. 

No risco de estar sutil e perigosamente do lado de lá daquilo que se opõe,  na sua borda prestes a transbordar. Questão essa relativa a atualização de sua potência e revisão de suas estratégias de guerrilha, questão existencial que tem no devir e no desdobramento de sua crise o sentido de produzir outros sentidos, para além (e dentro) dos jogos de poder institucionalizados. Questão que contempla (aquém da contradição) a possibilidade do fracasso como parte do plano.


Eis que: Anarco Fake! A gêmea má (embora esteja além da dicotomia) do Anarkofunk, devir inevitável de um movimento radical em curso, autoanálise sem drama e sem ressentimento, que, na verdade, não passa de uma conversa de Mogli Saura com sigo mesme, tendo como interlocução os movimentos de busca por vida forte e re-existência por onde se afeta/afetou.

Tenda Mastur Bar, Viarada Cultural, SP 2019

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